Scott Pelzel
Sunday, June 12, 2011
Cenas de Washington Square e a diversidade de Nova York
5 Avenue, Waverly Place, West 4th and MacDougal Streets
(212) 639-9675
nycgovparks.org
O Washington Square, conhecido pelo belo Arco de Washington, é um dos parques mais populares e emblemáticos de Nova York.
Batizado em homenagem a George Washington, fica no coração do West Village, mergulhado no campus da Universidade de Nova York. O Washington Square também se destaca pela enorme fonte central, onde grandes e pequenos indiferentemente esbanjam diversão durante o verão.
Como qualquer outro parque ou espaço público da cidade, o Washington Square recebe visitantes de todos os lugares, de todas as classes sociais, religiões, cores e estilos. É um lugar muito rico por sua diversidade. Mas isso nem discute e nem sequer se comenta no dia-a-dia de Nova York. Afinal, os espaços urbanos aqui são para todos, de verdade. E aí de quem ousar dizer o contrário!
Embora adore o Brasil e tenha um orgulho danado de ser brasileira, tenho que admitir que a gente ainda gasta muito tempo discutindo o que não poderia ser questionado.
Aproveito para dividir trechos de um texto do jornalista Sérgio Damasceno, que me inspiraram a fazer essas imagens, numa bela tarde de primavera.
"Gente diferenciada
De Nova York - São Paulo protagonizou, há umas três semanas, um caso que é bem típico de uma cidade que deveria ser democrática e é pequena, bem pequena, quase que uma província quando se trata de comportamento entre pessoas que pensam que compartilham o mesmo espaço. Pensam porque, quando se dão conta, percebem que se obrigam a esse compartilhamento, o que não vem a ser, portanto, nada democrático. O que é imposto não é espontâneo e, logo, deixa de ser uma reunião civilizada em aglomeração humana e passa a ser um ajuntamento forçado.
O motivo foi funesto: uma associação de bairro, elitista, tornou público o desejo de parte dos moradores desse bairro, considerado elitista (e já por isso não-democrático), de bloquear a construção de uma futura estação de metrô em determinado lugar. Essas pessoas querem mover a estação para alguns metros adiante sob a premissa de que "gente diferenciada" tenderá a ocupar o entorno da estação e, consequentemente, poluirá, com sua diferenciação, a rua, as adjacências e o bairro."
"A gente diferenciada foi um termo cunhado por uma moradora do bairro citado primeiro neste post e remete a pessoas como as faxineiras, os vendedores ambulantes, trabalhadores de quarto e quinto escalão que, eventualmente, achem por bem escolher o metrô como um meio de transporte alternativo entre tanto outro de que dispomos na província. São gentes diferenciadas justamente que trabalham para as pessoas não-diferenciadas daquele mesmíssimo bairro."
"Estou em Nova York desde segunda-feira e o que mais eu vi, até o momento, foi a verdadeira gente diferenciada. Gente de todos os lugares, culturas, cores. De todas as vestimentas. De chinelo. De bota. Sem camisa. Cobertos até o pescoço. Com cabelos à moda punk ou sem cabelo algum. Gente do mundo inteiro que vive uma democracia de fato. Gente diferenciada sim. Mas, pela diferença de saber conviver num espaço, e não por se achar diferente de outros apenas pelo que cada um tem ou não posses."
Saturday, June 4, 2011
Feiras e a escultura do Madison Square Park
Feiras em junho
Kudu-lah, da Jennifer
Yumi Chen
Nem é preciso dizer que depois de um longo inverno todo mundo quer aproveitar o tempo bom ao ar livre. Uma ótima oportunidade para curtir a cidade sem precisar enfrentar lojas lotadas - em ambientes com ar condicionado para agradar aos esquimós - é visitar as várias feiras que vão pipocar por Nova York nos próximos meses. (No link acima, você tem uma lista dos eventos programados para junho.)
Esta semana, visitei a feira do Madison Square Park, que deve ter uma segunda edição nos próximos meses. O parque fica bem na frente do conhecido edifício Flatiron, um dos primeiros arranha-céus de Nova York, que tem esse nome por causa do formato semelhante ao de um ferro de passar roupas antigo. O nome original do edifício era Fuller.
O Madison Square Park fica na interseção da quinta avenida com a Broadway e rua 23. O nome é uma homenagem à James Madison, quarto presidente dos Estados Unidos.
Já há sete anos o parque patrocina um programa de arte contemporânea. No momento, a exibição inclui a bela escultura "Echo", do festejado artista espanhol Jaume Plensa. O escultor, que vive em Barcelona, é conhecido internacionalmente pela criação de grandes obras para áreas públicas.
A monumental Echo mostra a cabeça de uma menina de nove anos perdida em seus sonhos. São mais de 13 metros de mármore branco harmoniosamente expostos em meio ao verde e ao concreto. Imperdível e gratuito!
Saturday, May 21, 2011
"Cavalo de Guerra", no Lincoln Center
Vídeo feito pelo Lincoln Center
"War Horse", Vivian Beaumont, Lincoln Center
Acabo de chegar do teatro e não quero esperar até amanhã para escrever: "Cavalo de Guerra" é um espetáculo impressionante. Tão impressionante que conseguiu comover Steven Spielberg. Depois de assistir à montagem, ele decidiu produzir a sua versão da história para o cinema - e o filme já é um dos mais aguardados de 2011.
"Cavalo de Guerra" ("War Horse", em inglês) é baseado na obra infanto-juvenil do inglês Michael Morpurgo e adaptado por Nick Stafford, também britânico.
No teatro, os cavalos, muito bem feitos, são movidos por atores. Mas os movimentos, e até a respiração, são tão perfeitos que o público consegue por vários momentos esquecer que aqueles não são cavalos de verdade - e se emocionar com a bela história de amizade.
A obra teatral viaja da Inglaterra rural para os campos de batalha na França durante a Primeira Guerra Mundial. A grande estrela da história é Joey, o cavalo do adolescente Albert, que é vendido para a cavalaria inglesa, capturado pelos alemães e quase morto durante a guerra.
Para tornar Joey um cavalo quase verdadeiro, duas pessoas ficam dentro do corpo, operando as pernas e o torso. Uma terceira é responsável pelo movimento da cabeça.
Como toda a história de guerra, "War Horse" é muito triste. Estima-se que, além das cerca de 10 milhões de pessoas que perderam as vidas durante a Primeira Guerra, muitos cavalos tenham sido sacrificados. Li que alguns historiadores calculam que apenas 62 mil cavalos tenham retornado para casa depois da guerra. Fala-se que, possivelmente, milhões tenham sido enviados aos campos de batalha.
Felizmente, "Cavalo de Guerra" tem um final feliz, mas isso não impede que lágrimas sejam derramadas durante e no encerramento do espetáculo.
Fica aqui a dica. A peça é inesquecível, mas a compreensão dos diálogos é importante, a menos que o espectador queira apenas se deliciar com a perfeição dos movimentos dos cavalos, em especial os do sofrido e heroico Joey.
Sunday, May 15, 2011
Navegando pela rota turística
Estátua da Liberdade
Não há turista no mundo que venha a Nova York pela primeira vez e não queira ver a Estátua da Liberdade. O monumento doado pelos franceses aos americanos recebe mais de 3 milhões de visitantes por ano e, junto com o Empire State Building, está entre os pontos turísticos mais populares da cidade.
"A Liberdade Iluminando o Mundo" (em inglês: "Liberty Enlightening the World", e em francês: "La Liberté Éclairant le Monde") foi projetada e construída pelo escultor alsaciano Frédéric Auguste Bartholdi, que contou com ajuda do engenheiro francês Gustave Eiffel, o arquiteto da Torre Eiffel, para a montagem da parte metálica interna. A estátua ganhou o status de monumento nacional em 1924, mas está em Nova York desde 1886.
Para ver e entrar na senhora Liberdade, é preciso pegar a barca que vai até a Ilha da Liberdade e Ellis Island, onde fica o Museu da Imigração. O ingresso é acessível, US$ 5 para crianças, US$ 13 para adultos e US$ 10 para idosos. O ponto de partida em Manhattan é o Battery Park e os horários de acesso variam um pouco dependendo da época do ano, mas normalmente ficam entre 8h30, saída da primeira barca de Manhattan, e 17h15, partida da última barca de regresso. A entrada na parte interna tem um limite diário e, por isso, é preciso fazer reservas antecipadas.
Uma outra opção para chegar perto da famosa estátua enfrentando menos fila é fazer um passeio de barco. Existem várias alternativas, incluindo viagens mais sofisticadas em veleiros e horários especiais, como o pôr do sol.
O passeio que você vai ver no vídeo é um dos mais simples e acessíveis: dura 60 minutos e custa US$ 25 dólares por pessoa. O barco sai do Pier 17, ao lado do South Street Seaport, um local de lojas e restaurantes, bem gostoso para visitar no verão.
Embora para muita gente o ponto alto seja a estátua, mesmo a viagem mais curta dá ao visitante a chance de passar debaixo das famosas pontes de Nova York e de ver os arranha-céus de um outro ângulo. Turístico? sim. Maravilhoso? também!
Saturday, May 7, 2011
Café, pão de queijo, pão de mel e brigadeiro
OCafe
482 Avenue of the Americas
New York, NY 10011-8410
(212) 229-2233
Tenho certeza de que mesmo o mais convicto dos expatriados morre de saudades de tomar um café com pão de queijo no meio da tarde. Eu, uma expatriada cambaleante, acho que nada substitui a combinação!! Também sou fã incondicional de brigadeiros!!
Por isso, quando li sobre OCafe no blog da Brigadeiro Bakery NYC, da chef Mariana Vieira, fui lá checar. Mas só agora consegui fazer um vídeo do café.
OCafe, localizado na entrada do West Village, serve café, pão de queijo, brigadeiro, pão de mel, açaí e bolos com gostinho do Brasil.
Esse café tropical foi criado pelo chef Fernando Efrain, um argentino que morou dez anos no País e conhece muito bem a nossa culinária.
É interessante porque, para fazer este vídeo, estive três vezes no OCafe. E sempre me deparei com clientes americanos. Na última visita, conversei com alguns para sentir a resposta ao sabor brasileiro. Vocês vão ver isso com mais detalhes no vídeo.
Embora Nova York tenha vários restaurantes brasileiros, a cidade estava mesmo precisando de um café tipicamente brasileiro. Tomara que o Fernando abra muitos outros, para que a gente possa mais facilmente dar uma escapadinha no meio da tarde para saborear um café com pão de queijo (e um brigadeiro da Mariana de sobremesa)!!
482 Avenue of the Americas
New York, NY 10011-8410
(212) 229-2233
Tenho certeza de que mesmo o mais convicto dos expatriados morre de saudades de tomar um café com pão de queijo no meio da tarde. Eu, uma expatriada cambaleante, acho que nada substitui a combinação!! Também sou fã incondicional de brigadeiros!!
Por isso, quando li sobre OCafe no blog da Brigadeiro Bakery NYC, da chef Mariana Vieira, fui lá checar. Mas só agora consegui fazer um vídeo do café.
OCafe, localizado na entrada do West Village, serve café, pão de queijo, brigadeiro, pão de mel, açaí e bolos com gostinho do Brasil.
Esse café tropical foi criado pelo chef Fernando Efrain, um argentino que morou dez anos no País e conhece muito bem a nossa culinária.
É interessante porque, para fazer este vídeo, estive três vezes no OCafe. E sempre me deparei com clientes americanos. Na última visita, conversei com alguns para sentir a resposta ao sabor brasileiro. Vocês vão ver isso com mais detalhes no vídeo.
Embora Nova York tenha vários restaurantes brasileiros, a cidade estava mesmo precisando de um café tipicamente brasileiro. Tomara que o Fernando abra muitos outros, para que a gente possa mais facilmente dar uma escapadinha no meio da tarde para saborear um café com pão de queijo (e um brigadeiro da Mariana de sobremesa)!!
Saturday, April 30, 2011
Viagem a Hershey
Hershey, PA
Que vem do Brasil para Nova York quer aproveitar cada segundo da cidade, o que é mais do que compreensível e recomendável!! Mas os que chegam para passar um tempo mais longo podem ter interesse em explorar também o que existe nas redondezas. E não faltam opções de viagens relativamente curtas nos estados de Nova York, Nova Jersey e Pensilvânia.
Uma das inúmeras pequenas cidades turísticas da região é Hershey, que fica na Pensilvânia - a cerca de três horas de carro de Nova York. O nome - mais do que conhecido - veio do fundador, Milton Hershey, que criou a famosa marca de chocolate.
É uma viagem ideal para famílias e para amantes do chocolate. Afinal, a quilômetros de distância já dá para sentir o cheiro do chocolate. E, ao chegar em Hershey, não há como escapar: mesmo o mais contido dos turistas acaba se lambuzando. Melhor nem tentar resistir e deixar para queimar os quilinhos extras na volta!!
Só para contextualizar: Milton Hershey foi um empreendedor. No começo do século passado, teve a ideia de popularizar o chocolate, que até então era um doce de elite.
Em 1903, começou a construção da enorme fábrica de chocolate na Pensilvânia, a primeira a produzir chocolate para as massas. E, ao redor dela, criou uma cidade modelo para seus empregados, com transporte público barato, sistema de educação de boa qualidade e áreas de lazer, entre elas o HersheyPark, que abriu suas portas em 1907. Mais tarde, vieram os hotéis, o Hershey, que é o mais luxuoso (onde funciona um conhecido spa), e o Hershey Lodge, muito procurado por famílias.
Na área de lazer, também funcionam o complexo Chocolate World, com uma série de atrações, incluindo filmes em 3D e uma fábrica de chocolate, e o Hershey Story, bem mais recente, um museu sobre a cidade, onde há também um laboratório com aulas sobre o chocolate.
O vídeo acima foi feito durante a semana da Páscoa, quando a cidade se torna especialmente agitada!! Como já disse, é um ótima viagem para fazer com as crianças. Sem elas, bem, acho que uma boa opção seria estender a viagem até à histórica Filadélfia - mas vou deixar para falar mais sobre isso no futuro. Por enquanto, aproveitem Hershey!
Sunday, April 17, 2011
Wicked, vídeo da Broadway.com
http://www.wickedthemusical.com/
TKTS
Este é o único vídeo do blog feito por terceiros. É mais difícil fazer vídeos de musicais - eu até que tentei - e existe também a questão de direitos autorais. Para contornar os problemas, estou usando um vídeo oficial da Broadway.com, para falar de um musical muito bacana: o Wicked.
Há quem goste, há quem ache turísticos e previsíveis. Mas a verdade é que os musicais da Broadway estão entre as grandes atrações de Nova York.
Tenho que admitir que sou fã! Vejo e revejo. E ainda assim me impressiono todas as vezes com a grandiosidade das produções e com o profissionalismo dos artistas e músicos.
Faz pouco tempo fui assistir ao Wicked, que conta a história das bruxas de OZ antes da chegada da Dorothy. Amei!! Acho que é o melhor musical em cartaz na Broadway atualmente.
Baseado na obra da Gregory Maguire, está entre os 20 musicais de maior duração na Broadway. Em outubro do ano passado, Wicked completou sete anos em cartaz.
O musical conta a história de Elphaba, a futura Bruxa do oeste, e da sua relação com Galinda, ou Glinda, a bruxa boa do sul. É uma relação de opostos, testada pela descoberta do governo corrupto de OZ e pelo amor por um mesmo homem.
O musical faz várias referências a OZ e mostra, da sua forma, como surgem o homem de lata, o espantalho e o leão.
Wicked já quebrou vários recordes de bilheteria, ganhou vários prêmios e se tornou um dos musicais mais populares entre os turistas americanos. Por isso, vale a pena comprar os ingressos com antecedência.
Os diálogos de Wicked são bastantes importantes para a compreensão da história. Por isso, se você não está seguro de que vai entender os diálogos em inglês, pode ser interessante ler um pouco mais sobre o enredo, antes de chegar ao teatro.
Uma observação: além do link para a página oficial do musical, coloquei também o link para a página do TKTS. São três bilheterias em Nova York, em Times Square, South Street Seaport e Brooklyn.
Muita gente já conhece e usa, mas não custa lembrar que é possível comprar ingressos com 20% a 50% de desconto nessas bilheterias.
As bilheterias de Times Square só vendem ingressos para o dia da apresentação. Mas as demais também oferecem ingressos com um dia de antedecedência para as apresentações da tarde.
O TKTS aceita dinheiro, cartão de crédito e cheques de viagem. No site, você pode ter uma ideia dos shows para os quais eles dão descontos. É uma referência básica, já que a oferta muda diariamente, dependendo da demanda nas bilheterias oficiais.
Segunda observação: por causa da grande procura, o Wicked normalmente não é oferecido nessas bilheterias. Mas você encontra vários dos musicais populares, como o Fantasma da Ópera, um dos favoritos entre os turistas, e o Billy Elliot, que, na minha opinião, é espetacular!
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